sábado, 4 de abril de 2009

neblina no cerrado/ noite insone

e quem foi que disse que pode neblinar no cerrado
nas noites insones
a neblina traz uma melancolia inexplicável
a melancolia traz uma insônia inexplicável
a insônia traz uma neblina inexplicável

e quanto a essa tristezinha muída
aquela agulha invisível de outrora
me resta o horizonte que prezo ver
mas os anjos da madrugada cobriram com o manto branco e frio

temperatura amena para alguém muito quente
corroendo pequenos pedaços de lembranças
e alguns momentos que jamais permitirão retorno

via úmida
mão única
tez áspera
pé gelado

mais uma fuga
do que não se pode mais correr
é o lince negro e faminto
perseguindo uma presa jamais vista
como uma oportunidade inédita
sem olhar para trás.

quem cobriu o cerrado de neblina
não conseguiu ver
que a virtude do planalto é sempre ver em linha reta
mesmo que a noite seja ingrata
e se escutem passos fantasmagóricos oscilantes

caminhar mais que o necessário
com vivências no embornal
ardidas e inseparáveis

quem cobriu o cerrado de neblina
negociou com o destino o crescimento
e nada será previsível
como a neblina do cerrado.

mais um amanhã ansioso
na longa madrugada branca
quieta e solitária.

tudo virá
mas a ponderança
é a virtude dos que dormem.

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