segunda-feira, 25 de abril de 2011

neruda

pela alegria de encontrar compreensão em alguém.
Obrigada por ser tão nobre.



O Poço

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

neruda

[ao meu amor, meu Bernardo.]



A Noite na Ilha

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Furiosa II

Quero dizer àquele idiota que ele nunca mereceu nada

Colocar o dedo na cara daquele grupo falso e ofertar a cólera dos dias sofridos

Cuspir os artelhos endurecidos na face daquela invejosa leviana

Chutar o caixão e gritar: fraco! todos estaríamos ao seu lado!

Comer aquele bilhete escrito em canetinha azul com o sangue pisado dele e dela

Jogar todas as balanças de farmácia do trigésimo andar e sobre elas litros e litros de gordura humana fresca

Incinerar com notebooks todos os recibos de táxi que fui obrigada a solicitar e vomitar cada centavo humilhado sobre a face do administrador de contratos

Berrar ensurdecedoramente: Eu venci, estúpidos!

Juntar aqueles ex-alunos bixos de merda em um único pacote asfixiante e deixar à deriva em alto mar

Amontoar os playstations no motel e trepar com todos eles

Arremessar pés de cabra no estacionamento do Pátio Savassi

Nunca ler Victor Hugo

Me negar a ajudar os desfavorecidos!

Erguer uma faixa cintilante com os nomes de todos os broxaaaaaaassss


AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Eu posso ser má!

BWA HA HA HA HA HA HA!

nome próprio

não escrevo em nome próprio, escrevo em nome da força lírica da comunicação subjetiva.

furiosa

ai, como almejo controlar esses ímpetos de mau humor!
Reconheço minhas qualidades, mas as apago quando me engano sendo uam bruxa má.
Me arrependo e sofro.

Ah, perdão ao mundo. Ninguém merece passar pela minha fúria...

Por favor, alguma força do universo me ajuda a controlar isso...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Amor

Conhece segredos nunca revelados a ninguém, telepaticamente. Sabe de tudo, nasceu sabendo. Nasci pra ele. É o sentimento mais louco, emocionante e profundo que a minha alma pôde tocar. É como uma união do espírito.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

iemanjá

ela se viu contra a parede
mentiu, dissimulou
foi abraçada pelo demônio
e agora caminha desolada.

o que ela mais queria era dinheiro
sossego
ausência de esforço.

se traiu
traiu valores por ela nunca vistos
mas admirados de alguma forma

viveu a mediocridade de querer o do outro:
a fúria ânsia dos que se negam a fazer o exame
mas ainda assim entram com o recurso.

Agora, tola, pena.
É uma lição ambulante
de egoísmo, sofrimento e frustração.

não vale a pena ser um abutre.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

head over feet

I had no choice but to hear you
You stated your case time and again
I thought about it

You treat me like I'm a princess
I'm not used to liking that
You ask how my day was

You've already won me over in spite of me
Don't be alarmed if I fall head over feet
And don't be surprised if I love you for all that you are
I couldn't help it
It's all your fault

Your love is thick and it swallowed me whole
You're so much braver than I gave you credit for
That's not lip service

You are the bearer of unconditional things
You held your breath and the door for me
Thanks for your patience

You're the best listener that I've ever met
You're my best friend
Best friend with benefits
What took me so long

I've never felt this healthy before
I've never wanted something rational
I am aware now
I am aware now

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Rosas de Hiroshima

Uma nota muito emocionada de amor às vítimas da trajédia ocorrida hoje em uma escola municipal no Rio de Janeiro. Que esses anjos intercedam pela humanidade.


Rosa de Hiroshima
Pense nas crianças mudas, telepáticas
Pense nas meninas cegas, inexatas
Pense nas mulheres, rotas alteradas
Pense nas feridas como rosas cálidas
Mas! Só não se esqueça da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima, a rosa hereditária
A rosa radioativa, estúpida inválida
A rosa com cirrose a anti-rosa atômica
Sem cor, sem perfume, sem rosa
Sem nada



Eu sinto muito.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ás de Copas


Por que não abrir o coração? O Tarot, Srta Angélica, emite para você o conselho do Ás de Copas. Este arcano pede que, neste momento, você abra mais o seu centro do coração, deixando que a boa vontade e a afetuosidade brotem de sua alma sem expectativas ou condições. Permita que uma qualidade amorosa – que bate forte, pedindo pra sair – seja derramada para todos os cantos, inclusive para aquelas pessoas de quem você menos gosta. Muitas boas surpresas ocorrerão à medida que você compreender que, ao amar sem esperar resultados, os resultados são melhores do que os originalmente esperados. Abra-se ao novo, Srta Angélica! Não apenas a pessoas novas, mas também a novos olhares, novas perspectivas, de modo que o encantamento se derrame e você se perceba com a alma limpa, renovada, respirando e irradiando amor, tornando-se uma presença atrativa e desejada. É hora de amar, Srta Angélica! Não se importe se as pessoas não lhe correspondem. Você aprenderá, neste momento, que o amor faz bem principalmente a quem o emite. E termina sendo algo beneficamente contagioso: magnetiza e afeta, transformando o mundo em torno de si, tornando-o um lugar melhor. Conselho: Momento de abrir o coração, de renovar.