domingo, 22 de maio de 2011

brasil drama

Temos que sentir o drama para não cometermos o erro tolo de criticarmos o que não fazemos idéia do que seja.
Temos que operar em favor do todo.


quarta-feira, 4 de maio de 2011

o mundo é um moinho

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Presta atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção
O mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó

Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés

segunda-feira, 25 de abril de 2011

neruda

pela alegria de encontrar compreensão em alguém.
Obrigada por ser tão nobre.



O Poço

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

neruda

[ao meu amor, meu Bernardo.]



A Noite na Ilha

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Furiosa II

Quero dizer àquele idiota que ele nunca mereceu nada

Colocar o dedo na cara daquele grupo falso e ofertar a cólera dos dias sofridos

Cuspir os artelhos endurecidos na face daquela invejosa leviana

Chutar o caixão e gritar: fraco! todos estaríamos ao seu lado!

Comer aquele bilhete escrito em canetinha azul com o sangue pisado dele e dela

Jogar todas as balanças de farmácia do trigésimo andar e sobre elas litros e litros de gordura humana fresca

Incinerar com notebooks todos os recibos de táxi que fui obrigada a solicitar e vomitar cada centavo humilhado sobre a face do administrador de contratos

Berrar ensurdecedoramente: Eu venci, estúpidos!

Juntar aqueles ex-alunos bixos de merda em um único pacote asfixiante e deixar à deriva em alto mar

Amontoar os playstations no motel e trepar com todos eles

Arremessar pés de cabra no estacionamento do Pátio Savassi

Nunca ler Victor Hugo

Me negar a ajudar os desfavorecidos!

Erguer uma faixa cintilante com os nomes de todos os broxaaaaaaassss


AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Eu posso ser má!

BWA HA HA HA HA HA HA!

nome próprio

não escrevo em nome próprio, escrevo em nome da força lírica da comunicação subjetiva.

furiosa

ai, como almejo controlar esses ímpetos de mau humor!
Reconheço minhas qualidades, mas as apago quando me engano sendo uam bruxa má.
Me arrependo e sofro.

Ah, perdão ao mundo. Ninguém merece passar pela minha fúria...

Por favor, alguma força do universo me ajuda a controlar isso...