A cruiz de pedra
A mãe ficou sentada
Na berada do fogão
Varreno as cinza com ramo
Até cair no chão
Cos zóio triste, empapussado
Chorano a maldição
A Sá Chica que me disse
O pai num vorta mais não
E meus zóio foro incheno
Que nem quando o sereno
Moía toda a prantação
Nessa miséria sem tamanho
O pai andou fartano
Por conta da bebeção
A mãe, sozinha, coitada
Com toda a fiarada
Aceitou a condição
Passou a mão na inchada
Acordou de madrugada
Levou eu, o Zé e o João
- Agora nóis é sozinho
Cada um faz seu caminho
Sem cuspi reclamação
A mãe foi que tava certa
Depois dessa descoberta
Eu mudei meu coração
Meu Jesus cristim amado
Quem que fez tanto pecado
Pra sofrê dessa porção?
Vê contá que gente rica
Faiz que faiz e num suplica
Nem ajuda cum tostão
Mas a vida é professora
É nos cabo das vassora
Que se aprende essa lição
Os revertério que a vida dá
É pra nóis sabê cuidá
Das mazela do sertão
A cruiz que nóis carrega
Num é quarqué um que pega
É só pra nóis essa missão.
terça-feira, 23 de junho de 2009
meus escritos...
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que lindo, foi vc quem escreveu?
ResponderExcluiré tão cordel...
=P
sim, foi ela q escreveu e é a preferida da mãe dela
ResponderExcluire uma das minhas tbem.
amo vc minha poetisa