terça-feira, 9 de junho de 2009

carta àquele pássaro que voou

olá, boa noite, noite sempre, sempre sua
feliz dono da madrugada
rodeado de afetos e coisas boas

boa noite, noite insone, insone e curta
curta como a vida que levara
longe de todos os padrões dos homens

ah, como pôde assim
viver como relâmpago
fazer somente o que desejou
intensamente a cada instante
ah, que permissão teve
para negar astutamente
as mulheres de sua vida
ah, como foi que viveu
por tantos anos a fio
dedicado à boemia
e aos desalentos
ah, meu Deus,
que criatura foi essa
que inclinado ao mal
e torturado pelo bem
ah, que dor profunda
jamais saberá daqueles que o amaram
que todo perdão foi pouco
e que os julgamentos eram de amor
ah, altivo e belo
enganando e desenganando
florido do carisma dádiva

a mentira é a salvação
a verdade nada mais é

que a repetição das quase certezas...

"- o que as senhoras acham?
- exclamou Razumíkhin elevando a voz ainda mais.
- Acham que eu sou assim porque eles mentem?
Tolice! Eu gosto que eles mintam! A mentira é o único privilégio dos homens sobre os outros animais.
Mente que vais acabar atingindo a verdade!(...)
Nem uma só verdade poderias alcançar se antes não mentisse quatorze vezes e até cento e quatorze vezes
o que representa uma honra 'sui generis'(...)"


quem seria, então, verdadeiro?
não seriam todos eles hipócritas?

quntas lições foram vividas
quantos sofrimentos superados

oh, grande pássaro sem ninho
alcance sua madrugada mais profunda
e viva bom vivã como sois

sim, eu sei, seu nome não é johnny
talvez ninguém nunca tenha sabido esse nome
talvez..

mágica presença dos loucos
e àqueles que me dizem
prefiro pensar que Deus sou eu.

confusa constelação mundana
esperamos que cada estrela brilhante
traga você a todo momento

entre charutos, uísques e espelhos
entre crianças, jovens e homens
entre pobres, infelizes e milhonários

espero vê-lo num cassino
à margem do Rio Tamisa.

Seja lá como Deus permitirá
orgulho-me chamá-lo pai.

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