a paixão segundo G.H.
[...]
Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossiilitava de andar mas que fazia e mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. Voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: tive que aprender a andar com apenas duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausênuca inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.
[...]
Fico tão assustada quando percebo que durante horas perdi minha formação humana. Não sei se terei uma outra para substituir a perdida. Sei que precisarei tomar cuidado para não usar sub-repticiamente uma nova terceira perna que em mim renasce fácil como capim, e a essa perna protetora chamar de "uma verdade".
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário