aaaah!
as asas saem das minhas costas e isso queima muito!
eu vomito sangue e a mágoa
atravesso o pântano e chego na colina
sangrando
febril
nua
perdida
e lá
vejo a luz brilhante que me toma
me envolve como um redemoinho
não sei se é Deus ou se nasço novamente
náuseas
vômito
cansaço
chuvas
trovoadas
muitos seres circundam avoantes
e venho ao chão.
de repente
um frescor e calmaria
sou encontrada desacordada
por uma brisa suave
abro os olhos
e vejo o céu azul
e a grama orvalhada
leve
pacificada
glorificada
encontrada por mim.
minha alma voa
e vejo o corpo estendido na campina
alado, branco e tenro
com os hematomas daquela noite macabra.
toda cólera se foi
não há mais medos
vejo que possuo asas,
toda a paisagem é amor.
repentinamente penso
e nenhum dos pesadelos consegue ser lembrado.
percebi que algum Deus me abençoara
me dando asas e um profundo esquecimento.
uma amnésia profunda do espírito
chamada perdão.
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